O ano louco em que tudo mudou (ou nem tanto)
O ano político, como sempre, começou em março, com a abertura dos trabalhos legislativos. De repente, de madrugada, com uma explosão midiática que prenunciava a velocidade e a voltagem que o Brasil teria neste louco 2016.
No dia 4, às seis da manhã, vários agentes da Polícia Federal bateram à porta da casa de São Paulo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depois interrogá-lo, por suposta corrupção, no aeroporto de Congonhas. O interrogatório, que durou algumas horas, sacudiu o país. E o polarizou ainda mais.
O Brasil começou a ganhar uma inércia frenética que, com o tempo, ganharia ainda mais velocidade.
Após o interrogatório, Lula, já na rua — mas sem perder a condição de investigado —, com lágrimas nos olhos, acusou o juiz Sérgio Moro de querer montar um espetáculo político contra ele. “Quiseram matar a jararaca, mas não bateram na cabeça, bateram no rabo”, exclamou. Como contrapartida, as forças da oposição organizaram um protesto no domingo, dia 13, contra Dilma Rousseff(lembram-se dela?). Foi a maior marcha política da história democrática do Brasil. Só na Avenida Paulista saíram mais de 500.000 pessoas, segundo o método de medição da Folha de S.Paulo. Muitas delas com cartazes alusivos à serpente.
Dilma se enfraquecia cada vez mais, atingida por uma popularidade ínfima, uma crise econômica crescente, a falta de apoio no Congresso, as acusações de corrupção que minavam o PT e o processo de impeachment que avançava, tic-tac, irrefreável, desde novembro. Eduardo Cunha (lembram-se também dele?), então presidente da Câmara, liderava a alavanca parlamentar com mais poder do país, capaz de derrotar a presidenta da República. E todo mundo sabia que ele a utilizaria. Hoje Cunha está atrás das grades: uma verdadeira metáfora da enlouquecida montanha-russa de personalidades em queda livre em que se transformou a política brasileira durante este ano.
Gilv@n Vi@n@

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