Golfinhos são os animais com memória mais longa, diz pesquisa
Estudo afirma que mamíferos aquáticos conseguem se lembrar de assobios de companheiros depois de 20 anos
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Kai foi um dos golfinhos participantes do estudo;
ele tinha 16 anos de idade quando esta foto foi tirada
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Esqueça os elefantes. Cientistas dizem que são os golfinhos os animais com a memória mais longa, exceto os humanos
Pesquisadores nos Estados Unidos dizem que mesmo depois
de 20 anos de separação, golfinhos puderem se lembrar dos assobios de
antigos companheiros.
Golfinhos chamam uns aos outros pelo nome, afirmam pesquisadores escoceses
Os autores do estudo acreditam que esta memória de longo
prazo é um produto de complexas conexões sociais que os golfinhos
desenvolveram.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica Proceedings of the Royal Society B - Biological Sciences.
No estudo, os cientistas usaram as informações sobre os
relacionamentos entre 56 golfinhos em cativeiro da espécie roaz
corvineiro (bottleneck) que tiveram que ser separados em seis zoológicos
e aquários nos Estados Unidos e nas Bermudas em grupos diferentes com o
objetivo de facilitar o acasalamento.
A super inteligência dos cetáceos
Os golfinhos que participaram do estudo tiveram que
acionar uma de duas alavancas de nível para distinguir os sons, sendo
alguns deles muito parecidos. Ao acionar uma terceira alavanca, eles
foram capazes de "dizer" aos cientistas que eles queriam "pular" um
teste em particular por ser muito difícil.
Coluna Ciência em Foco: Golfinhos podem 'enxergar' fetos na barriga de mulheres grávidas?
"Quando você coloca os golfinhos em situações como estas,
eles respondem exatamente como os humanos", afirma a pesquisadora Lori
Marino. "Eles estão acessando as próprias mentes e pensando - analisando
- as próprias ideias".
Vários golfinhos em cativeiro ganham recompensa na forma de peixes por organizar seu próprio tanque. Um deles cortou um grande saco de papel, escondeu os pedaços e apresentou um deles por vez para ganhar diversas recompensas. Os dados coletados, que têm registros de mais de décadas, mostraram quais dos golfinhos foram mantidos juntos.
Vários golfinhos em cativeiro ganham recompensa na forma de peixes por organizar seu próprio tanque. Um deles cortou um grande saco de papel, escondeu os pedaços e apresentou um deles por vez para ganhar diversas recompensas. Os dados coletados, que têm registros de mais de décadas, mostraram quais dos golfinhos foram mantidos juntos.
Os pesquisadores então tocaram para os golfinhos
gravações de áudio utilizando alto-falantes subaquáticos, com os
assobios dos animais que eles viveram no passado, medindo suas reações.
"Quando as gravações lhe são familiares, os golfinhos têm
a tendência de se aproximar das caixas de som por longos períodos de
tempo", disse Jason Bruck, da Universidade de Chicago, que conduziu o
estudo.
"Eles irão manter contato com o alto-falante - mas se
eles não tiverem qualquer familiaridade com a gravação, têm a tendência a
ignorar o que estou tocando. Não existem precedentes em estudos de
comportamento de animais que encontrem memórias tão longas", ressalta.
Bruck ainda sublinha o caso de dois golfinhos chamados
Allie e Bailey. Eles tinham vivido juntos em Florida Keys - arquipélago
de corais na região sudeste dos EUA - quando eram bem pequenos.
Bailey agora vive nas Bermudas, mas quando a gravação de
Allie foi tocada, ela reconheceu imediatamente o som, mesmo 20 anos
depois do breve contato que teve com o parceiro - eles ficaram juntos
por apenas seis meses.
O pesquisador disse que esse tipo de resposta é típico.
Comparado a gravações não familiares aos golfinhos, existia uma clara
indicação de que os animais respondiam significativamente mais aos
assobios dos companheiros que eles conviveram no passado, mesmo que não
os tivessem visto por décadas.
Para checar que a reação dos golfinhos era mesmo devido
ao reconhecimento do assobio antigo companheiro, Bruck também tocou sons
de animais da mesma espécie, idade e sexo que os golfinhos familiares.
Família nuclear
Os pesquisadores acreditam que a complexa natureza do sistema social dos golfinhos está por trás da sua memória de longo prazo.
No oceano, os golfinhos têm um arranjo social mais
fluido, que os cientistas chamam de modelo de "fissão-fusão". Eles
tendem a deixar um grupo e se incorporar a outros muitas vezes durante
sua vida.
"É importante para os golfinhos rememorarem os animais
que eles já tiveram convivência para decidir se eles são ou não
indivíduos dos quais eles querem se aproximar. Eles fazem isso a partir
de uma milha de distância quando ouvem os assobios e decidem se querem
ou não se aproximar daquele indivíduo", explica Bruck.
De acordo com os pesquisadores, as habilidades dos
golfinhos em relembrar eventos indica que os cetáceos - grupo de
espécies marinhas que são mamíferos - possuem um nível de sofisticação
cognitiva comparável à de humanos, chimpanzés e elefantes.
Enquanto os elefantes têm a reputação de ter uma memória
longa bem extensa - de até 20 anos - existe muito pouca evidência
científica das suas habilidades fora do ambiente de relacionamentos
familiares.
Nesta pesquisa, os golfinhos foram capazes de lembrar de membros familiares da mesma forma como de estranhos.
Há alguma semanas, um outro estudo revelou que os
golfinhos utilizam o assobio para definir a própria marca - assinatura -
hábito que parece ter a mesma função que os nomes têm para os humanos.
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